01 outubro, 2009

[FanFic] Che e eu, 4° - Quase um ano, quase 16 anos.

''...y es por ti que late mi corazón, y es por ti que brillan mis ojos hoy...'' -Juanes, Es Por Ti.



Naquela mesma noite eu não consegui dormir pensando como iria ser a minha ''aula'',
ou melhor, com quem iria ser a minha ''aula''. E por fim o sono veio.
A anciedade foi tanta que as 6:00 horas da manhã eu já estava acordada. Me levantei,
arrumei minha cama com todo o silêncio que consegui para não acordar ninguém, depois
fui ao banheiro e escovei bem meus dentes para não deixar nenhum registro de ''acabei de acordar'', pentiei cuidadosamente meu cabelo até ficar com uma aparência de seda e fui para
a cozinha para tomar meu café. Preparei um leite quente e um pão na chapa. Quando sentei
na mesa Mayara apareceu ao meu lado bocejando.
- Nossa, em pleno sabádo acordada tão cedo! Porque?
A olhei com carinho e senti que podia contar-lhe tudo o que tinha se passado no dia anterior e todo o que eu sentia e para onde eu iria naquela manhã. E por fim ela me respondeu com intensidade:
-Aulas de fotografia com FIDEL CASTRO? -essas duas últimas palavras disse gritando.
-SHHH, silêncio! -sibilei num sussurro- Sim! Mas não sei bem se é exatamente ele que vai me ajudar. Ele disse: ''Tem uma pessoa aqui'' e ''Ele pode te ajudar''. Então acho que não é ele.
-E se for o Camilo do rosto cômico?
-Se for ele... Tudo bem. Mas quero que seja outra pessoa.
E terminei meu café dando risadinha com minha melhor amiga e dizendo como eram os guerrilheiros que conheçi.

*

Sete e quarenta e cinco da manhã eu já estava no mesmo local do dia anterior. Começei me
sentir ridícula ao pensar que Fidel podia ter esquecido da promessa que fez para mim ou então me enganado, achando que eu realmente iria cair na pegadinha dele -e já estava começando achar que fui uma idiota e que realmente tinha caido na piada de Fidel e que ele estaria rindo de mim naquele exato momento- olhei pro relógio, eram sete e cinquenta, mirei todos os lados possíveis que existiam naquele local, ninguém estava lá. Vi uma escada que dava entrada para um palanque e me sentei. Eu iria esperar até oito e dez e se ninguém aparecesse eu iria embora, com minhas esperanças despedaçadas mas ficar parada ali é que eu não iria ficar. Mas que otária eu fui... acordar tão cedo num dia de sabádo acreditando em um cara, que me achava apenas uma garota, uma garota idiota, o que adiantava chegar ali tão feliz tão cheia de esperanças, acreditando em alguém que me fez de palhaça... e alguém tocou no meu ombro.
-Pensei que você não viria. -me disse Fidel com um largo sorriso no rosto.
-E eu pensei que você não tinha dado importância a sua proposta.
-Eu nunca me esqueceria da minha proposta. Até porque tem gente que definitivamente não
me deixou esquecer. -me disse enquanto caminhavamos em direção a uma discreta porta que
eu não tinha percebido durante a comemoração.
Entrei despreocupada com quem iria ficar comigo ali para me ensinar a mexer com uma máquina de fotos estúpida. Mas quando vi a pessoa que estava dentro da salinha tive vontade de sair correndo e não voltar mais.
Seria Camilo Cienfuegos meu professor? -NÃO!!! Eu quero o Che! Mas que maldade da minha parte, o Camilo foi tão simpatico e legal comigo na primeira vez que nos vimos. Eu não pudia pensar assim dele, eu o admirava e tinha conciência disso.
Dei um ''Olá'' meio tímido para Camilo que estava com uma foto qualquer na mão e me segurei ao máximo para não demostrar minha cara de desgosto. Cheguei mais perto da mesa que Camilo estava e me sentei na sua frente e vi que ele olhava fotos de paisagem, depois Fidel sentou ao meu lado e perguntou-me se eu estava animada com a aula, e disse que sim. Em seguida me dirigi a Camilo meio sem jeito:
-Então, aonde vamos provar uns negativos?
-Como? -me perguntou com cara de ''Não Fui Eu!''
-Provar uns negativos.. Tirar umas fotos..
-Não sei, porque? -me disse ainda sem entender nada.
-Ah! Me esqueci de dizer... seu ''professor'' é o Ernesto, ele já está chegando. -falou-me Fidel com cara de culpa.
Ernesto? Quem é Ernesto? Pensei desanimada tentando conformar-me com a idéia de que não seria o Che que tanto queria.
Passados uns 10 minutos, entrou na sala uma pessoa de aparência alta, com botas e roupas parecidas que tinham vindo do exército, olheio do topo e vi que usava uma boina. Logo pude entender que o Ernesto era o ''meu'' Che.
Ele me olhou fundo nos olhos e pude sentir o fogo subir até minhas bochechas. Me deu a mão como cumprimento:
-Olá, Belinda não é? Se errei, me desculpe.
-Olá, encantada. Sim, é Belinda. -a verdade é que eu não queria soltar as mãos dele. Era como meu poder supremo que ao soltar eu perderia todas as minhas forças, e me disse com um jeito sutil:
-Bom, vamos a um lugar aberto para provarmos uns negativos.
A única coisa que consegui fazer como resposta foi balançar a cabeça positivamente. E saimos da salinha, atravessando o lugar onde foi uma comemoração no dia anterior e andamos pela rua.
-Quantos anos tem? -me perguntou sem interesse na voz, e acredito que foi mais para puxar algum tipo de assunto.
-Tenho 15 anos, e que dia é hoje mesmo?
-Creio que seja... 15 de dezembro.
QUINZE DE DEZEMBRO? QUINZE DE DEZEMBRO? -pensei comigo estericamente- amanhã já ira fazer um ano que eu e meus amigos estavamos naquele tipo de vida incompreensivel para quem escutasse a nossa história maluca! Apesar da esteria começar balbuciar dentro da minha cabeça isso pouco me importava ali porque estava com ele, quem eu mais desejava.
-Bom, então tecnicamente tenho 15 até hoje porque amanhã será meu aniversário.
-Sério? Então não posso me esquecer de parabenizarte amanhã. -e me olhou com ternura.
Paramos em uma praça e ele começou a me mostrar e ensinar as melhores poses e tecnicas de luz. Fora que estava uma manhã linda, com vários raios de sol e muitas núvens.
Olhei para as árvores e a iluminação tinha deixado tudo naquele dia tão maravilhosamente bonito, principalmente a pessoa que estava ao meu lado.
Sob o sol minimamente quente e as núvens rosadas eu o olhei com atenção e gravei cada detalhe em minha mente, para depois na hora de dormir eu recordar desse momento com intensidade e então eu reparei na cor de sua pele que puxava para uma cor de canela bem clara, e como ela era de aparência macia e também percebi que seus olhos eram uma das coisas que me agradava em seu rosto -não que os olhos fossem as únicas coisas que me encantava, eu o amava inteiro, como a primeira até a última mordida em um doce de chocolate- era dificil decidir o que eu mais gostava, pois, eu gostava do seu nariz, da sua boca, do seu cabelo, das expressões, das palavras... de extamente tudo.
Derrepente ele parou de falar e olhou fixamente para mim e eu consegui sustentar o olhar. Então me disse:
-Seus olhos são claros.
-É, são um pouco verdes.
-Como assim ''um pouco verde''? Eu estou vendo um verde... digamos, médio.
-Pois é, acho que é a luz. Eles mudam de cor, uma hora está verde, outra fica cor de mel e outras castanho.
Então me falou com um meio sorriso:
-Isso é bom! Seus olhos são especiais, melhores do que os meus que sempre ficam do mesmo jeito.
-Seus olhos podem não mudar de cor, mas o que realmente é bonito neles é a intensidade com que você olha.
-Como quando quer conquistar alguém?
-Acho que mais ou menos isso.
-Olha aquela árvore, daria uma boa foto. O céu está bonito e com uma núvem grande passando, daria uma ótima foto, vai parecer pintura. -sugeriu-me apontando em direção ao local.
Eu corri e peguei a câmera que estava no chão, posicionei o foco e bati a foto. Então ele tornou a me dirigir a palavra:
-É sempre assim, as coisas mais bonitas são inesperadas.
Ficamos na pracinha quase a manhã toda, nas horas que eu tentava realmente prestar atenção nas explicações técnicas que ele me dava eu conseguia fazer fotos boas. Mas na maioria das vezes eu simplesmente me perdia na sua imagem. O tempo passou tão rapido que quando vi era meio dia.
-Nossa, preciso ir para casa!
-Mas porque?
-Porque? Já é hora de almoço, eu preciso almoçar e você também, além disso, hoje é sabádo e eu não quero ficar ocupando seu tempo.
-Mas você não está ocupando meu tempo, estamos trabalhando.
-Desculpa, eu preciso realmente ir embora.
Me despedi dele com tristeza nos olhos, eu queria ficar ali para todo o sempre. Tive que conseguir forças para ir até Fidel e Camilo na salinha e me despedir deles também.
-Porque não almoça conosco? -falou-me Camilo.
-Eu adoraria de verdade, mas é que tenho que me preparar para amanhã e preciso ir para casa.
-Amanhã? O que tem amanhã Ernesto, outra seção de fotos? -perguntou Fidel com interesse.
-Amanhã é aniversário dela, então acho que essa senhorita está preparando a sua festa, por isso que está com tanta pressa assim.
-Então amanhã é seu aniversário?
-Sim, senhor Castro. -sorri para ele- Mas agora não posso demorar-me, é sério!
E fui embora, feliz por ter passado um pouco de tempo com eles, e triste por ter deixado o amor da minha vida ali, naquela salinha escura. Enquanto caminhava pela rua tive a sensação de estar andando sobre a núvem que saiu na foto.
Ao chegar em casa comi qualquer coisa, pois, estava feliz demais para me preocupar com comida e me tranquei no quartinho de revelação, a tarde foi passando... e chegou em um momento que me dei conta que tinha esquecido minha agenda na salinha em que estava com os rapazes. Eu poderia voltar lá, eu queria voltar lá mas já estava de noite e não era apropriado fazer isso.
Onze e quarenta e cinco da noite já estava deitava, fugindo o dia inteiro de todo mundo, pois, não queria que ninguém arrancasse de mim a melhor manhã de minha vida. Queria deixar ela bem guardadinha na minha memória, e enquanto o sono não vinha eu me lembraria de cada detalhe que guardei: da pele, do cabelo, do nariz, das expressões, das palavras, e principalmente dos olhos... me lembraria dele todo... todo... dormi.

trilha:

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