31 outubro, 2009

Para que beleza?


beleza para refletir
no espelho
para contagiar
agir e transformar...
em todos o lugares,
em todos os olhares,
por onde você passar.

beleza para ter leveza,
para a vida inteira.
Para acreditar!

26 outubro, 2009

[FanFic] Che e eu 5° - Rosa vermelha.

Em datas comemorativas, o meu melhor presente é ter ele do meu lado.
Já havia me decidido que iria lutar pelo seu amor, iria tentar e se conseguiçe
eu iria viver por ele, morrer em seu lugar e chorar suas lágrimas.




No meio da noite acordei e vi Ernesto como jamais imaginei. Seus cabelos não eram os mesmos, estavam muito grisalhos e o topo de seu crânio era calvo, estava muito mais magro, e seus olhos eram tristes mas com o mesma intensidade de sempre. Tinha uma aparência velha e morimbunda, mas quando sorriu para mim tinha a mesma ternura e juventude de sempre e como brisa em tardes de verão ele sumiu, parecia que tinha vindo para me dizer adeus, e derrepente eu começei a chorar loucamente. Por alguma razão, no fundo do meu coração eu saberia que ele não voltaria mais. Chorei, chorei, chorei.
-Acorda Beli, você está passando bem? -me acordou Karina numa chacoalhada e percebi que ela estava muito assustada.
-Estou bem, foi só um sonho.
-Você estava chorando e fiquei assustada, então te acordei porque parecia mais um pesadelo do que um sonho.
Passei as mãos sobre meu rosto e enxuguei as lágrimas que ainda rolavam.
-Obrigada. Que sonho horrivel... Que horas são?
-Acho que são 02:30. Quer um copo d'água?
-Não obrigada. Eu estou bem. Vou voltar a dormir. -foi um sonho, apenas um sonho.
-Bem, então boa noite e meus parabéns. Já é seu aniversário!

*

Passando do entardecer eu me reuni com todos meus amigos em nossa humilde casa.
Não queria festas nem presentes, apenas um simples abraço deles já era o sulficiente. Mas meus pensamentos estavam longe. Será que Ernesto viria? Eu estava tão obcecada por ele, que se agente passasse dez mil anos juntos eu ainda iria querer muito mais. A paixão interna que em poucos dias se acendeu era insaciavel e a sua imagem era a única coisa que me acalmava. Me acalmava de todos os jeitos: me ajudava a ter vontade de encarar o dia e a noite; me fazia dormir melhor; dava mais satisfação às minhas refeições; me dava inspiração.
Entre conversas e risos em meios aos relatos cômicos que Felipe fazia a campainha tocou e foi bem nessa hora que eu havia esqueci completamente da imagem de Che. Karina foi atender a porta, e logo Ernesto estava sala adentro.
-Oi, eu vim trazer sua agenda -me comprimentou com um único pequeno sorriso e estendeu-me a sua mão para devolver-me a agenda- Não se preoculpe, eu não li nada.
-O que há de ler, se aqui só tem horários? -sorri, e ele dovolveu-me outro sorriso abaixando sua cabeça e ficando com um ar ligeiramente tímido.
-Podemos ir lá fora por um segundo?
-Claro, mas não quer nada? Água, café, suco?
-Não, só quero conversar com você.
Tossidas propositais ocorreram na sala neste instante e tive certeza de que era coisa do Felipe, sempre cômico e encantador mas o que mais me deixou sem graça não foi a brincadeira proposital das pessoas que conviviam comigo e sim da face vermelha que apareceu em Ernesto depois do 'Podemos ir lá fora por um segundo'.
Fomos na frente da casa e ele logo me sugeriu que andassemos pela rua e o fizemos. Naquele momento em que caminhava ao seu lado eu não via chão, nem me lembrava de aniversário, muito menos de amigos.
Mas uma duvida explodiu em minha mente. Será que ele não me parabenizaria? Porque geralmente quando as pessoas parabenizam, elas retribuem esse comprimento com um abraço e eu queria um abraço dele. Não, eu não era uma garota atirada, só o queria sentir, tocalo, guardar seu cheiro. Assim como qualquer garota apaixonada deseja em fazer.
-Eu queria parabenizarte, sei que é seu aniversário mas não comprei nada.
Tudo bem, só me abraçe -pensei.
-Não precisa, só de ter lembrado me alegra muito.
-Em todo caso.. -abaixou-se em um canteiro de flores que estava ao nosso lado, e colheu uma rosa vermelha e ofereceu-me- os melhores presentes vem da natureza.
-Obrigada, eu nunca recebi flores. Foi o melhor presente que já ganhei. -a minha emoção foi tão grande que tive vontade de chorar, mas desta vez de alegria. Era uma situação tão romântica e que eu nunca tinha vivido até aquele momento. Para uma garota essa é a coisa mais especial que possa existir.
Enquanto caminhavamos pela rua escura eu o olhava e vi que aquele homem sério que conheçi e pelo qual me apaixonei durante um trabalho para o jornal local pela primeira vez tinha desaparecido e agora havia uma pessoa muito simpática e de um jeito muito tão jovem quanto qualquer menino de quinze anos. Mas havia uma coisa que não estava me encantando no romântismo que havia criado em meu ponto de vista. Era o silêncio. Tomei coragem e começei a pergunatar-lhe coisas das quais tinha mais curiosidade como: Você é cubano? Qual o dia no seu nascimento? Do que já trabalhou? E as respostas foram: Sou argentino. 14 de Junho de 1928. Estudei medina, mas não cheguei a me formar e fui enfermeiro. Respostas tão simples mas que pareciam poesias aos meus ouvidos e de uma forma sutil e inesperada ele fez o mesmo e eu torci para não perguntar detalhes, pois, se eu contasse toda a verdade de como eu havia parado ali o que ele iria achar de mim? Louca maníaca tarada? Provavelmente era isto que iria ultrapassar pelos seus pensamentos e ele sairia correndo rua afora e eu morreria de desgosto. Mas nada disso aconteceu e as perguntas foram: Onde você nasceu? Porque não mora com seus pais? Como vão os namorados? -namorados? Ele disse namorados? Concerteza deu-me uma vontade intensa de responder: Não tenho 'namorados' mas se quizer ser eu estou disposta- e da forma mais normal eu respondi suas perguntas: Sou brasileira. Meus pais morreram. Não tenho.
Dentre os passos ligeiros que davamos em direção a uma praça nós fomos nos conheçendo melhor e descobrindo quais eram nossas afinidades e diferenças. Quando chegamos na praça sentamos em um banco que madeira e sem pensar eu pergunatei:
-Já que você é argentino, você vai ficar por aqui em Cuba eu vai voltar para Argentina?
-Eu vou para o México.
-Porque México?
-Minha mulher e filha estão lá e agora tenho que pensar nelas.
Mulher? Filha? Ao ouvir essas palavras foi como cravar uma faca de serras e esfolar-me todo o peito por dentro. Ele era casado.
Segurei minha amargura até não poder mais e senti que as lágrimas brotavam como loucas em meus olhos.
-Eu tenho que ir senhor Guevara.
-Senhor Guevara? Você está bem?
-Estou ótima, mas não posso mais ficar aqui. -lutei para não olhar mais para seus olhos.
Sem se quer dar noção me levantei e andei o mais depressa que pude para chegar em casa. Seu coração já tinha uma razão para bater, não só uma razão mas duas e provavelmente a sugunda opção era a mais forte de todas. Sua filha.
Não podia me apaixonar por uma homem casado, isso seria a coisa mais horrivel que um dia eu poderia fazer. Tirar o amor de outra pessoa.
Andando pelo caminho escuro eu me decidi, com grande dor no coração, mas a única razão do meu viver nesses últimos três dias iria morrer. Iria esquece-lo e viver normalmente como qualquer outra pessoa.
Chegando em casa eu entrei bruscamente pela sala e me tranquei no quartinho de revelção. Ninguém foi atráz de mim, ninguém me chamou e isso era bom, pois, não queria falar com pessoa alguma. O melhor nos meus amigos é que eles entendiam qual hora e lugar para perguntar e se preocupar com alguém.
'Só foram os hormônios, só foram os hormônios'. Repetia isso comigo mesma tentando de algum jeito amenizar a pior dor que já senti, e em meio ao buraco que crescia em meu coração e o furacão que passava pela minha cabeça eu cheguei a conclusão de que nunca ia te-lo para mim, eu nunca ia ser dele. Minha vida já tinha se tornado uma rotina, em três dias minha vida era uma rotina: Ve-lo, pensar nele, passar o dia pensando nele, ir para casa, dormir, pensar nele, acordar e ve-lo denovo.
Mas e agora, o que eu iria fazer com a rosa vermelha que estava no meu bolso? Jogar fora? Era uma opção. Mas não iria fazer isso, pois, foi um presente, o mais lindo que ganhei. Deixaria ela junto dos meus pertences e um dia quando eu olha-la mesmo velha e seca vou me recordar de como me apaixonei pela primeira vez e de como sofri ao saber que não
poderia mais amar o mais belo e apaixonante homem da minha vida.

trilha:

10 outubro, 2009

[OFF]


aos poucos nós vamos amando e
aos poucos percebemos que nos afundamos neste amor.


o tempo passa.


aos poucos nós vamos deixando de amar e
aos poucos percebemos que já não lembramos daquele amor.

[OFF]

Nem as palavras podem descrever o que senti por ele aquele dia,
nem minha familia compreenderá e
nem meus amigos entenderam.
Foi amor a primeira vista.
Digo 'amor a primeira vista' porque quando seus olhos faiscaram nos meus eu senti algo que nunca havia nascido em meu coração.
Outros dizem que é destino,
outros dizem que são os hormônios.
E eu já não sei mais o que é, pois, um ano se passou e eu nunca mais te vi, e ainda assim eu nunca te esqueçi.

09 outubro, 2009

viva EL CHE!

A morte deste homem pode ter sido uma vitória para os imperialistas, mas EL CHE ainda vive calorosamente nos corações dos povos socialistas que ainda acreditam na mágia
da utopía.





Ernesto Che Guevara, [June 14, 1928 – October 9, 1967].

05 outubro, 2009

[OFF]

Já não há nada que Juan não conheça;
já não já uma calçada,
já não há uma rua,
já não há caminhos e atalhos.

Já não há um rosto de que Juan não se lembre;
do meu,
do seu,
do nosso,
daquele e daquele.

E não há um rosto que tenha visto Juan;
é como poste
-não existe

é como neblina
-ninguém enxerga

é como água
-não tem cor, cheiro, textura

e é como vento
-ninguém ve que está presente.

03 outubro, 2009

O que você está escutando últimamente?

eu estou escutando

Juanes, (Es Por Ti)


Cafe Tacvba, (Avientame)


Orishas, (Naci Orishas)


e você?

01 outubro, 2009

[FanFic] Che e eu, 4° - Quase um ano, quase 16 anos.

''...y es por ti que late mi corazón, y es por ti que brillan mis ojos hoy...'' -Juanes, Es Por Ti.



Naquela mesma noite eu não consegui dormir pensando como iria ser a minha ''aula'',
ou melhor, com quem iria ser a minha ''aula''. E por fim o sono veio.
A anciedade foi tanta que as 6:00 horas da manhã eu já estava acordada. Me levantei,
arrumei minha cama com todo o silêncio que consegui para não acordar ninguém, depois
fui ao banheiro e escovei bem meus dentes para não deixar nenhum registro de ''acabei de acordar'', pentiei cuidadosamente meu cabelo até ficar com uma aparência de seda e fui para
a cozinha para tomar meu café. Preparei um leite quente e um pão na chapa. Quando sentei
na mesa Mayara apareceu ao meu lado bocejando.
- Nossa, em pleno sabádo acordada tão cedo! Porque?
A olhei com carinho e senti que podia contar-lhe tudo o que tinha se passado no dia anterior e todo o que eu sentia e para onde eu iria naquela manhã. E por fim ela me respondeu com intensidade:
-Aulas de fotografia com FIDEL CASTRO? -essas duas últimas palavras disse gritando.
-SHHH, silêncio! -sibilei num sussurro- Sim! Mas não sei bem se é exatamente ele que vai me ajudar. Ele disse: ''Tem uma pessoa aqui'' e ''Ele pode te ajudar''. Então acho que não é ele.
-E se for o Camilo do rosto cômico?
-Se for ele... Tudo bem. Mas quero que seja outra pessoa.
E terminei meu café dando risadinha com minha melhor amiga e dizendo como eram os guerrilheiros que conheçi.

*

Sete e quarenta e cinco da manhã eu já estava no mesmo local do dia anterior. Começei me
sentir ridícula ao pensar que Fidel podia ter esquecido da promessa que fez para mim ou então me enganado, achando que eu realmente iria cair na pegadinha dele -e já estava começando achar que fui uma idiota e que realmente tinha caido na piada de Fidel e que ele estaria rindo de mim naquele exato momento- olhei pro relógio, eram sete e cinquenta, mirei todos os lados possíveis que existiam naquele local, ninguém estava lá. Vi uma escada que dava entrada para um palanque e me sentei. Eu iria esperar até oito e dez e se ninguém aparecesse eu iria embora, com minhas esperanças despedaçadas mas ficar parada ali é que eu não iria ficar. Mas que otária eu fui... acordar tão cedo num dia de sabádo acreditando em um cara, que me achava apenas uma garota, uma garota idiota, o que adiantava chegar ali tão feliz tão cheia de esperanças, acreditando em alguém que me fez de palhaça... e alguém tocou no meu ombro.
-Pensei que você não viria. -me disse Fidel com um largo sorriso no rosto.
-E eu pensei que você não tinha dado importância a sua proposta.
-Eu nunca me esqueceria da minha proposta. Até porque tem gente que definitivamente não
me deixou esquecer. -me disse enquanto caminhavamos em direção a uma discreta porta que
eu não tinha percebido durante a comemoração.
Entrei despreocupada com quem iria ficar comigo ali para me ensinar a mexer com uma máquina de fotos estúpida. Mas quando vi a pessoa que estava dentro da salinha tive vontade de sair correndo e não voltar mais.
Seria Camilo Cienfuegos meu professor? -NÃO!!! Eu quero o Che! Mas que maldade da minha parte, o Camilo foi tão simpatico e legal comigo na primeira vez que nos vimos. Eu não pudia pensar assim dele, eu o admirava e tinha conciência disso.
Dei um ''Olá'' meio tímido para Camilo que estava com uma foto qualquer na mão e me segurei ao máximo para não demostrar minha cara de desgosto. Cheguei mais perto da mesa que Camilo estava e me sentei na sua frente e vi que ele olhava fotos de paisagem, depois Fidel sentou ao meu lado e perguntou-me se eu estava animada com a aula, e disse que sim. Em seguida me dirigi a Camilo meio sem jeito:
-Então, aonde vamos provar uns negativos?
-Como? -me perguntou com cara de ''Não Fui Eu!''
-Provar uns negativos.. Tirar umas fotos..
-Não sei, porque? -me disse ainda sem entender nada.
-Ah! Me esqueci de dizer... seu ''professor'' é o Ernesto, ele já está chegando. -falou-me Fidel com cara de culpa.
Ernesto? Quem é Ernesto? Pensei desanimada tentando conformar-me com a idéia de que não seria o Che que tanto queria.
Passados uns 10 minutos, entrou na sala uma pessoa de aparência alta, com botas e roupas parecidas que tinham vindo do exército, olheio do topo e vi que usava uma boina. Logo pude entender que o Ernesto era o ''meu'' Che.
Ele me olhou fundo nos olhos e pude sentir o fogo subir até minhas bochechas. Me deu a mão como cumprimento:
-Olá, Belinda não é? Se errei, me desculpe.
-Olá, encantada. Sim, é Belinda. -a verdade é que eu não queria soltar as mãos dele. Era como meu poder supremo que ao soltar eu perderia todas as minhas forças, e me disse com um jeito sutil:
-Bom, vamos a um lugar aberto para provarmos uns negativos.
A única coisa que consegui fazer como resposta foi balançar a cabeça positivamente. E saimos da salinha, atravessando o lugar onde foi uma comemoração no dia anterior e andamos pela rua.
-Quantos anos tem? -me perguntou sem interesse na voz, e acredito que foi mais para puxar algum tipo de assunto.
-Tenho 15 anos, e que dia é hoje mesmo?
-Creio que seja... 15 de dezembro.
QUINZE DE DEZEMBRO? QUINZE DE DEZEMBRO? -pensei comigo estericamente- amanhã já ira fazer um ano que eu e meus amigos estavamos naquele tipo de vida incompreensivel para quem escutasse a nossa história maluca! Apesar da esteria começar balbuciar dentro da minha cabeça isso pouco me importava ali porque estava com ele, quem eu mais desejava.
-Bom, então tecnicamente tenho 15 até hoje porque amanhã será meu aniversário.
-Sério? Então não posso me esquecer de parabenizarte amanhã. -e me olhou com ternura.
Paramos em uma praça e ele começou a me mostrar e ensinar as melhores poses e tecnicas de luz. Fora que estava uma manhã linda, com vários raios de sol e muitas núvens.
Olhei para as árvores e a iluminação tinha deixado tudo naquele dia tão maravilhosamente bonito, principalmente a pessoa que estava ao meu lado.
Sob o sol minimamente quente e as núvens rosadas eu o olhei com atenção e gravei cada detalhe em minha mente, para depois na hora de dormir eu recordar desse momento com intensidade e então eu reparei na cor de sua pele que puxava para uma cor de canela bem clara, e como ela era de aparência macia e também percebi que seus olhos eram uma das coisas que me agradava em seu rosto -não que os olhos fossem as únicas coisas que me encantava, eu o amava inteiro, como a primeira até a última mordida em um doce de chocolate- era dificil decidir o que eu mais gostava, pois, eu gostava do seu nariz, da sua boca, do seu cabelo, das expressões, das palavras... de extamente tudo.
Derrepente ele parou de falar e olhou fixamente para mim e eu consegui sustentar o olhar. Então me disse:
-Seus olhos são claros.
-É, são um pouco verdes.
-Como assim ''um pouco verde''? Eu estou vendo um verde... digamos, médio.
-Pois é, acho que é a luz. Eles mudam de cor, uma hora está verde, outra fica cor de mel e outras castanho.
Então me falou com um meio sorriso:
-Isso é bom! Seus olhos são especiais, melhores do que os meus que sempre ficam do mesmo jeito.
-Seus olhos podem não mudar de cor, mas o que realmente é bonito neles é a intensidade com que você olha.
-Como quando quer conquistar alguém?
-Acho que mais ou menos isso.
-Olha aquela árvore, daria uma boa foto. O céu está bonito e com uma núvem grande passando, daria uma ótima foto, vai parecer pintura. -sugeriu-me apontando em direção ao local.
Eu corri e peguei a câmera que estava no chão, posicionei o foco e bati a foto. Então ele tornou a me dirigir a palavra:
-É sempre assim, as coisas mais bonitas são inesperadas.
Ficamos na pracinha quase a manhã toda, nas horas que eu tentava realmente prestar atenção nas explicações técnicas que ele me dava eu conseguia fazer fotos boas. Mas na maioria das vezes eu simplesmente me perdia na sua imagem. O tempo passou tão rapido que quando vi era meio dia.
-Nossa, preciso ir para casa!
-Mas porque?
-Porque? Já é hora de almoço, eu preciso almoçar e você também, além disso, hoje é sabádo e eu não quero ficar ocupando seu tempo.
-Mas você não está ocupando meu tempo, estamos trabalhando.
-Desculpa, eu preciso realmente ir embora.
Me despedi dele com tristeza nos olhos, eu queria ficar ali para todo o sempre. Tive que conseguir forças para ir até Fidel e Camilo na salinha e me despedir deles também.
-Porque não almoça conosco? -falou-me Camilo.
-Eu adoraria de verdade, mas é que tenho que me preparar para amanhã e preciso ir para casa.
-Amanhã? O que tem amanhã Ernesto, outra seção de fotos? -perguntou Fidel com interesse.
-Amanhã é aniversário dela, então acho que essa senhorita está preparando a sua festa, por isso que está com tanta pressa assim.
-Então amanhã é seu aniversário?
-Sim, senhor Castro. -sorri para ele- Mas agora não posso demorar-me, é sério!
E fui embora, feliz por ter passado um pouco de tempo com eles, e triste por ter deixado o amor da minha vida ali, naquela salinha escura. Enquanto caminhava pela rua tive a sensação de estar andando sobre a núvem que saiu na foto.
Ao chegar em casa comi qualquer coisa, pois, estava feliz demais para me preocupar com comida e me tranquei no quartinho de revelação, a tarde foi passando... e chegou em um momento que me dei conta que tinha esquecido minha agenda na salinha em que estava com os rapazes. Eu poderia voltar lá, eu queria voltar lá mas já estava de noite e não era apropriado fazer isso.
Onze e quarenta e cinco da noite já estava deitava, fugindo o dia inteiro de todo mundo, pois, não queria que ninguém arrancasse de mim a melhor manhã de minha vida. Queria deixar ela bem guardadinha na minha memória, e enquanto o sono não vinha eu me lembraria de cada detalhe que guardei: da pele, do cabelo, do nariz, das expressões, das palavras, e principalmente dos olhos... me lembraria dele todo... todo... dormi.

trilha:

[OFF]


meu trabalho de Educação Artistica no primeiro ano em 2007.
PS: é uns dos que eu mais gosto =)

[Dica] O Fabuloso Destino De Amélie Poulain.


Trailer: http://www.youtube.com/watch?v=0LPxU7659D4